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Reforma Tributária no Simples Nacional pode deixar a rotina menos simples para o contador

Reforma Tributária no Simples Nacional pode deixar a rotina menos simples para o contador


Para micro e pequenas empresas, a Reforma Tributária no Simples Nacional não significa o fim do regime simplificado. O Simples continua existindo, mas o ambiente ao redor dele muda: CBS, IBS, créditos e novas decisões de apuração passam a entrar na conversa do contador com o cliente. A própria Fazenda afirma que o tratamento favorecido será mantido, mas com possibilidade de escolha entre recolher IBS e CBS pelo Simples ou pelo regime regular.

A dor está justamente aí. O cliente escolheu o Simples porque queria menos complexidade, mas a transição tributária pode trazer perguntas que antes quase não apareciam: vale gerar crédito? Meu cliente B2B vai questionar isso? Faz sentido recolher parte fora do Simples?

A solução não é alarmar o cliente. É mapear agora quem pode ser impactado primeiro, organizar dados e preparar o escritório para orientar cenários com clareza.

O Simples Nacional vai acabar?

Não. O Simples Nacional não está sendo extinto pela Reforma Tributária.

O que muda é a convivência do regime com a nova lógica de CBS e IBS. Empresas optantes poderão recolher IBS e CBS dentro das regras do Simples, transferindo créditos correspondentes ao que foi recolhido, ou apurar IBS e CBS pelo regime regular, mantendo-se no Simples para os demais tributos.

Isso não elimina o regime, mas cria uma camada de análise que muitos pequenos negócios não tinham na rotina.

Onde o contador pode sentir diferença primeiro

A conversa sobre crédito pode crescer

Clientes do Simples que vendem para outras empresas podem ser questionados sobre créditos. Se o comprador estiver no regime regular, ele pode olhar com mais atenção para quanto crédito aquela compra permite.

Isso muda a conversa comercial. O cliente pode continuar no Simples, mas talvez precise entender se sua escolha afeta competitividade, preço ou negociação com empresas maiores.

A decisão deixa de ser só “cumprir obrigação”

Com a possibilidade de apurar IBS e CBS pelo regime regular em certas condições, o contador pode ser chamado para simular cenários.

O ponto é: isso não deve ser decidido por impulso. Em alguns casos, pode fazer sentido. Em outros, pode aumentar complexidade sem ganho real.

A rotina documental precisa ficar mais organizada

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS definiram uma adaptação gradual para obrigações acessórias em 2026, com recepção de documentos fiscais existentes e criação de novos documentos pela regulamentação.

Na prática, sistema desatualizado, cadastro bagunçado e emissão sem padrão tendem a pesar mais durante a transição.

O que mapear agora

Clientes que vendem para empresas

Esse grupo merece prioridade porque o tema crédito pode aparecer primeiro. Quem vende B2B pode receber mais perguntas de compradores sobre documentos, tributação e aproveitamento de créditos.

Clientes com margem apertada

Negócios com pouca margem sentem qualquer mudança mais rápido. Esses clientes precisam de análise preventiva, não de orientação na última hora.

Clientes com operação fiscal desorganizada

Empresas que emitem nota sem padrão, usam cadastro incompleto ou dependem de planilha paralela podem sofrer mais quando a transição avançar.

Processos internos do escritório

O escritório também precisa olhar para dentro. Se hoje a rotina depende de conferência manual, retrabalho e conhecimento concentrado em uma pessoa, a Reforma tende a amplificar essa fragilidade.

Dúvidas frequentes sobre Reforma Tributária no Simples Nacional

A Reforma Tributária acaba com o Simples Nacional?

Não. O Simples Nacional continua existindo, com tratamento favorecido para micro e pequenas empresas.

Empresas do Simples poderão gerar créditos de IBS e CBS?

Sim, mas a lógica depende da forma de apuração escolhida. Pelo Simples, transferem créditos correspondentes ao valor recolhido; pelo regime regular, podem apropriar e transferir créditos integralmente.

A empresa pode continuar no Simples e recolher IBS e CBS fora dele?

Sim. A Fazenda indica a possibilidade de apurar IBS e CBS pelo regime regular, mantendo o Simples para os demais tributos.

Quando essa decisão começa a ficar prática?

Para 2027, o Comitê Gestor definiu opção antecipada em setembro de 2026, inclusive para a opção excepcional pelo regime regular de IBS e CBS no período de janeiro a junho de 2027.

Todo cliente do Simples precisa mudar alguma coisa agora?
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Não necessariamente. Mas clientes B2B, com margem apertada ou operação fiscal desorganizada devem ser mapeados primeiro.

A Reforma Tributária no Simples Nacional não torna o regime extinto, mas pode torná-lo menos automático. O contador vai precisar orientar mais cenários, especialmente quando crédito, competitividade e escolha de apuração entrarem na conversa.

Quem começar agora a mapear clientes, organizar cadastros e reduzir improviso interno ganha tempo e previsibilidade.

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