A Reforma Tributária deixou de ser um assunto distante e passou a ter data prática na rotina dos escritórios. A partir de 2026, começa a fase de transição com os novos tributos sobre consumo, IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), substituindo gradualmente ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI.
Para pequenos escritórios contábeis, o impacto não será apenas na apuração de impostos. Muda a forma de parametrizar sistemas, orientar clientes, revisar contratos e conferir obrigações acessórias. Entender essa transição agora é o que separa o escritório que reage atrasado daquele que usa a reforma para fortalecer sua posição como parceiro estratégico.
A seguir, você vê o que muda de fato para pequenos escritórios e quais passos podem ser dados já em 2025 para chegar em 2026 com mais segurança.
A principal mudança é a adoção de um modelo de IVA dual, com dois tributos principais sobre consumo:
CBS: tributo federal que vai substituir PIS, Cofins e parte do IPI.
IBS: tributo estadual e municipal que vai substituir ICMS e ISS ao longo da transição entre 2026 e 2033.
A transição será gradual:
2026: início da fase de testes de IBS e CBS, com alíquotas simbólicas na nota fiscal, em torno de 0,9 por cento para CBS e 0,1 por cento para IBS, sem recolhimento efetivo, apenas para calibragem.
2027: início da cobrança efetiva da CBS e extinção do PIS e Cofins.
2029 a 2032: redução gradual do ICMS e ISS, com aumento progressivo do IBS.
2033: novo sistema em vigência integral, com IBS e CBS consolidados.
Para o pequeno escritório, isso significa conviver com dois mundos ao mesmo tempo: tributos antigos e tributos novos, com regras de crédito, base e obrigações acessórias específicas.
Não é apenas uma troca de siglas. O modelo de IVA traz efeitos práticos na rotina:
Com IBS e CBS:
a lógica passa a ser mais claramente não cumulativa, com créditos mais amplos ao longo da cadeia;
a tributação se concentra no destino do consumo, o que muda o tratamento de operações interestaduais;
haverá regras mais detalhadas de crédito, redução de alíquota e isenções setoriais.
Para o pequeno escritório, isso significa:
revisar CFOP, CST, NCM e regras específicas que hoje já causam divergências
adaptar sua lógica de parametrização para um modelo com menor espaço para improviso e mais cruzamentos automáticos.
As obrigações atuais tendem a ser substituídas gradualmente por novas obrigações ligadas ao IBS e CBS, em cronograma alinhado à extinção dos tributos antigos.
Na prática, o escritório vai lidar com:
SPED e declarações do modelo atual enquanto os tributos antigos existirem
novas obrigações voltadas ao IVA, com foco em operações, créditos e débitos de IBS e CBS
convívio de arquivos antigos e novos em um mesmo período de apuração.
Isso exige organização documental, processos claros e sistema preparado para gerar as duas visões.
Clientes de pequeno e médio porte vão exigir respostas para perguntas como:
"A carga vai aumentar ou diminuir no meu setor"
"Devo rever a formação de preço por causa do IBS e CBS"
"Como ficam meus créditos no novo modelo"
Conteúdos oficiais mostram que setores e cadeias serão afetados de formas diferentes, com regimes específicos, reduções de alíquota e tratamento diferenciado para algumas atividades.
O pequeno escritório que entende essa dinâmica se posiciona como consultor, não apenas como operador de obrigações.
Ignorar a transição até que as novas regras já estejam valendo aumenta alguns riscos:
reprocessamento de apurações por parametrização incorreta
divergências entre obrigações antigas e novas
dificuldade para explicar variações de carga tributária ao cliente
perda de competitividade frente a escritórios que se anteciparam
A convivência de sistemas diferentes, entre 2026 e 2033, pode ampliar o retrabalho se a base de dados não estiver organizada e se o escritório continuar operando de forma muito manual, com controles paralelos em planilhas.
Não é necessário dominar todos os detalhes da regulamentação de imediato, mas alguns movimentos podem ser feitos agora.
Antes de lidar com um novo sistema de tributos, vale reduzir os pontos de fragilidade atuais:
padronizar a entrada de XML e documentos
revisar parametrizações mais críticas de ICMS, ISS, PIS e Cofins
identificar clientes com operações mais complexas (interestaduais, ST, benefícios fiscais)
reduzir dependência de planilhas como base principal de controle
Quanto mais limpa estiver a base atual, menos problemas migram para o novo modelo.
A regulamentação da reforma está sendo detalhada em leis complementares e materiais técnicos de conselhos e entidades de classe.
Vale acompanhar, de forma recorrente:
conteúdos do CFC e CRCs
materiais do Ministério da Fazenda e Receita Federal
guias de entidades especializadas em tributos e em tecnologia fiscal
Isso evita decisões baseadas em boatos ou interpretações superficiais.
Um passo prático é classificar a carteira:
comércio varejista
prestadores de serviço
indústria ou atacado
clientes do Simples, lucro presumido e lucro real
A partir disso, o escritório pode:
estudar casos de impacto por setor
criar exemplos de simulação para os principais perfis
preparar materiais explicativos simples, mas tecnicamente corretos
Esse tipo de trabalho aumenta a confiança do cliente na orientação do escritório.
Sistemas fiscais e contábeis precisarão ser adaptados ao IBS e CBS. Para o pequeno escritório, é importante:
avaliar se o sistema atual será atualizado para a reforma e em quais prazos
reduzir ao máximo controles paralelos que não conversem com o sistema
revisar fluxos de conferência, apuração e entrega de obrigações
planejar treinamentos internos alinhados ao novo modelo de consumo
Quanto menos manual for a operação, mais fácil será atravessar a transição.
Para pequenos escritórios contábeis, a Reforma Tributária de 2026 não precisa ser apenas um risco. Ela pode ser o gatilho para:
organizar processos
fortalecer a relação com clientes
migrar de uma atuação apenas operacional para uma atuação mais analítica e consultiva
diferenciar o escritório em um momento em que muitos ainda estarão tentando entender o básico do novo sistema
Quem começa a se preparar agora chega em 2026 com mais clareza, mais controle e menos improviso.
Se você quer reduzir retrabalho, organizar a base fiscal e se preparar para a Reforma Tributária com mais segurança, contar com um sistema pensado para a rotina de escritórios contábeis faz diferença.